ANTHEM deixará de existir, e por que isso é problema até de quem não joga Anthem

 

ANTHEM deixará de existir, e por que isso é problema até de quem não joga Anthem



A EA anunciou que no dia 12 de janeiro os servidores de Anthem serão desligados. Como o jogo depende integralmente de conexão online, ele deixará de existir na prática, tornando-se inacessível para todos os jogadores.


Anthem surgiu como uma grande promessa. Os trailers impressionavam visualmente e o projeto carregava o peso do nome da BioWare, estúdio conhecido por clássicos dos RPGs e o meu sci-fi favorito: Mass Effect. A ideia era criar um novo gigante no modelo de jogo como serviço, que pudesse bater de frente com Destiny, referência do gênero na epoca. Jogo serviço é um formato que muitas empresas insistentemente tentaram (e falharam) em criar, mas todo mundo queria sua mina de ouro infinita. No entanto, apesar de mecânicas sólidas de combate e vôo (inclusive um dos melhores voos que ja joguei), o desenvolvimento foi turbulento, o conteúdo era escasso e o produto final ficou bem distante do que havia sido apresentado no marketing, principalmente em termos visuais e conteúdo prometido, alem da historia ser rasa e sem personalidade. O interesse do público caiu rapidamente.


Por anos circularam rumores de que a EA estaria estudando maneiras de revitalizar o jogo, a lenda urbana do ´´Anthem 2.0´´ era bem conhecida entre os fãs. Porém nada disso se concretizou e o game continuou um deserto nas diferentes plataformas. O desligamento dos servidores é, por esse lado, compreensível, já que manter uma infraestrutura cara para um número baixo de jogadores raramente parece viável para as empresas.


O problema é que Anthem não é um título gratuito. Ele foi vendido como um jogo premium, com expansões e itens pagos. Todos que investiram no produto simplesmente perderão o acesso, o que levanta questões éticas no mínimo incômodas. Esse tipo de decisão reforça movimentos como o #StopKillingGames, que busca mudanças na legislação de vários países para impedir que empresas retirem jogos das mãos dos consumidores após a venda. Uma das formas mais basicas e faceis disso, é o jogo simplismente funcionar offline, Anthem por exemplo tem campanha e missões que usam conteudo que está no disco e podem ser jogados Solo e os elementos para o jogo funcionar não deveriam depender de conexão online constante.


Outro ponto é que o número de jogadores ativos ser baixo não deveria ser justificativa suficiente para apagar um produto do mercado. O que importa é que ainda havia uma comunidade, e esses consumidores deveriam ter o direito de acessar aquilo que compraram sempre que desejassem.

Sem falar que um jogo é tambem alem de um produto, uma obra de arte, a visão criativa de artistas e profissionais, muitas vezes dezenas ou centenas deles. Simplismente apagar da existencia seus trabalhos não parece correto.

A situação se torna ainda mais estranha quando se observa a postura de algumas empresas diante de iniciativas de preservação. Sony e Nintendo, por exemplo, costumam agir rapidamente contra esforços de fãs que tentam manter jogos vivos por meios não oficiais. Recentemente uma comunidade tentou reviver Concord, outro game serviço que fracassou terrivelmente, mas ainda assim tinha uma pequena comunidade fiel mas o projeto foi prontamente ameaçado de processo, impedindo seu avanço. 


O recado parece claro: as empresas vendem o jogo, tiram o acesso quando querem e ainda punem quem tenta restaurá-lo por conta própria. Uma prática que reacende debates sobre preservação digital, direitos do consumidor e o futuro dos jogos exclusivamente online.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CINEMA - Predador: Terras Selvagens (Review)